Comentários sobre o Filme/Documentário Zeitgeist Addendum

Posted by on jan 30, 2009 in Sem categoria | 15 comments

Nota inicial: todos os artigos publicados por mim possuem no final da página uma seção denominada “Informações e Recursos Complementares Sobre o Artigo”. Lá você encontrará alguns dados técnicos sobre a procedência do artigo e também referencias externas que trazem mais informações sobre assunto que foi tratado.

Seja bem-vindo(a) ao meu primeiro artigo!

Uma vez que decidi que o espaço proporcionado pelo blog livrenet deveria ser destinado a assuntos gerais sobre os quais tenho interesse além de tecnologia, minha primeira publicação (post) será sobre o filme documentário Zeitgeist Addendum (2008) escrito e dirigido por Peter Joseph (link no IMDB).

Zeitgeist Addendum, como o nome já diz, é um adendo ao filme documentário antecessor Zeitgeist que trata sobre as origens da fé cristã, como os bancos americanos impuseram sua força dominante no mundo no início do século 20 e como esses dois assuntos estão relacionados às várias guerras e operações militares travadas nos séculos 20 e 21.

Do inicio até o meio do filme, o documentário me agradou bastante, pensei ter encontrado pela primeira vez um trabalho que apresentava idéias e visões parecidas com as minhas quando o assunto é o ser humano no geral e sua atual situação social. Porém, infelizmente, da metade em diante, o filme literalmente me decepcionou.

 

Idéias e considerações preliminares…

Antes que você imagine que esse é o post proveniente de algum tipo de extremista nas possíveis áreas do socialismo, comunismo, capitalistmo, espere um pouco e deixe-me dizer algo: socialismo, comunismo e similares também possuem como base e força motriz trabalho, dinheiro, controle baseado em uma elite voraz que se alimenta do trabalho e das vidas de milhares para manter o próprio “sistema” funcionando. A diferença para o “capitalismo” é o modo como esse sistema se apresenta para a população participante. Em minha opinião, qualquer sistema governado por uma elite auto-proclamada e dita sabedora das necessidades de todos é nocivo.

Sou apartidário e não possuo uma religião. Acredito existir “algo maior”, porém não acredito nos deuses “personificados” apresentados como instrumento de controle moral e político.  Sou adepto da ponderação: dependendo da perspectiva, a maioria das coisas têm seu lado favorável e igualmente seu lado desfavorável. Acredito justamente que as convicções irredutíveis e não construídas com base na experiência, ponderação, interação, são a principal fonte da maioria dos problemas enfrentados no mundo hoje. As convicções e fanatismos irredutíveis presentes nas pessoas, nada mais são do que a tentativa desesperada de realizar-se como ser humano através de “algo”, um sintoma da falta de horizontes, perspectiva e esperança, caso aquelas idéias venham a falir, como se todo o sentido para a vida de tal individuo dependesse da veracidade absoluta de suas convicções.

Tenho alguma experiência e sei o quanto é difícil expressar idéias que propõem mudanças no pensamento, principalmente nestes tempos tão fervorosos em que as pessoas procuram desesperadamente dar um sentido e classificar sua vida em meio a um mundo tão massivo e estressante. Um mundo em que todos são de “extrema direita” ou de “extrema esquerda”, um mundo onde o “meio termo” fica cada vez mais distante: ou “você ama ou você odeia”.

Por favor, tente entender o que foi dito acima, vou apresentar um exemplo hipotético de para tentar driblar os prováveis preconceitos do leitor.

–Vamos supor que você, uma pessoa de atitude, seja contra o tão falado “império americano” e resolve constituir um país. Você decide que seu país será baseado no “amor fraternal” e terá uma base comunista, sem desigualdades sociais. Você então estabelece uma série de leis para manter a ordem de seu país e cria dispositivos para assegurar que nada interfira no “paraíso” recém criado. Para que um sistema funcione de maneira estável, além das regras internas, precisamos prevenir a interferência externa. Então são criados dispositivos para que as pessoas que residem no país não tenham qualquer tipo de contato externo e recebam educação especifica e direcionada apenas aos interesses da nação.  A principal justificativa é que essa privação é necessária para manter a estabilidade do sistema e proteger o interesse e o bem estar das pessoas (manter todos longe da terrível realidade do mundo exterior). Você começa a impor a população um modo de vida, decide o que é bom e o que é ruim.  Agora vem o detalhe interessante: você é da elite governante, está acima do bem e do mal. Você faz o que quiser, tem acesso ao que bem entender, enxerga além da muralha e experimenta além da muralha. Mas as pessoas em baixo das suas asas não. Você é a elite dominante, executa lavagem cerebral nos seus compatriotas através da propaganda, manipula idéias, situações e fatos, com o intuito de manter o sistema funcionando. E quando todo seu sistema estiver consolidado, você pode ser classificado como um hipócrita egoísta que não vive realmente ao lado de seu povo e também não experimenta todos os sintomas e efeitos colaterais gerados pelos seus métodos de controle. –

Provavelmente, se você chegou até aqui, deve pensar que estou demonstrando meu ódio contra o comunismo e que estou dizendo que somente o comunismo é assim. Vamos então revisar nosso mundo ocidental guiado pelo capitalismo e o grande império americano:

Muitos americanos não tem idéia do motivo pelo qual existe um sentimento anti america no mundo todo. Você pode então se perguntar: como é possível com tudo que acontece no mundo, com as guerras, com as políticas do ex-presidente Bush nocivas ao seu próprio povo e ao planeta, com as injustiças das guerras travadas atualmente, como é possível existir sequer um cidadão americano que não ENTENDA o porquê do antiamericanismo (alguns entendem)? Ao mesmo tempo, você automaticamente classifica todo aquele povo, seres humanos iguais a você, como malignos.

A resposta para a pergunta acima é simples e pode ser respondida usando um exemplo similar ao citado no parágrafo sobre o comunismo. O cidadão americano está ha muitos anos imerso em um tipo de “bolha”, vivendo em uma grande “Disneylandia”, crescendo com uma falsa percepção de liberdade, sendo amamentado pela mídia e pelo governo com idéias de que na américa a liberdade é real, que a américa está no mundo para lutar contra todo o mal e contra todos aqueles que se opuserem ao estilo de vida da liberdade. O americano “comum”, muitas vezes, não sabe indicar no mapa nem mesmo as suas próprias cidades, quanto mais os países do mundo. A maioria dos americanos possuem uma imagem distorcida sobre os outros países, enxergando apenas estereótipos, lugares do “bem ou lugares do mal”. Quem você acha que os deixou dessa maneira? Você realmente acha que aquelas pessoas são assim sem motivo? São porque são, nasceram assim? Talvez você pense assim, pois assume que os americanpo  têm acesso á ”informação ilimitada”, afinal, é o país da liberdade recheado de tecnologia e telecomunicação livre (será mesmo?). A dura verdade é que eles são bastante privados da realidade do mundo, privados de cultura geral, alimentados com medo e com idéias radicais. Supostamente eles possuem livre acesso a cultura, mas não são incentivados a buscar cultura geral, aprendem somente a classificar e estereotipar. Muitos crescem com a educação necessária para manter a máquina e o modo de vida que os EUA representam e só. Exatamente como um cidadão da falecida União Soviética que crescia sabendo somente o que era necessário, conhecendo somente aquele estilo de vida.

No cerne, a idéia sobre controle da população com o intuito de manter o sistema funcionado é similar ao exemplo do comunismo, a diferença é o modo como é implantando na população. A informação é recebida através do governo, jornais, suposta liberdade de expressão, filmes, séries de TV, voto facultativo, exército facultativo.  Imagine: como um país que não me obriga você a votar poderia estar errado? “Veja a que grau chega a sua liberdade…”

No fundo, somos todos iguais, e todo e qualquer controle aplicado, seja ele qual for, possui o intuito de manter um sistema funcionando, seja esse controle explícito ou velado.

 

Entra o filme documentário Zeitgeist…

No inicio do filme, Zeitgeist Addendum me empolgou bastante, pois trata justamente desses assuntos: a atual situação da sociedade mundial como um todo perante ao sistema no qual a mesma está imersa e a força motriz dessa realidade: o sistema monetário, não IMPORTANDO EM QUE PAÍS VOCÊ ESTÁ. Com um início marcante incluindo o trecho de um discurso de Jiddu Krishnamurti, o documentário parece objetivo, bem centrado e com forte embasamento teórico.

De uma maneira bastante objetiva, a primeira parte do documentário explica como o dinheiro é “criado”, qual é o papel do Federal Reserve (banco central dos EUA) e como todo o processo acaba armando um cenário de escravidão monetária em todos nós. É explicado também como os Estados Unidos expandiram seu império pelo mundo usando a força econômica, se aproveitando da falta de regulamentação em países menos desenvolvidos, usando a violência da concorrência desigual e ferramentas como empréstimos promovidos pelo banco mundial e FMI fantasiados de ajuda altruísta aos países em necessidade.

O documentário também explica o que é corporatocracia e mostra que a real elite governante não é o “governo” e sim os bancos e as corporações que os apóiam. É bastante interessante ver que várias ações promovidas pelo governo dos EUA nada têm a ver com a população e sim com os interesses das grandes corporações.

O documentário deveria ser aclamado por incentivar o pensamento crítico e expor de maneira fácil de entender os tantos sistemas de controle de massas, literalmente expor como a “máquina” funciona. Realmente, estava impressionado com o filme, pois parecia que alguém finalmente tinha produzido um documentário que retratava tantas idéias que há anos estavam em minha mente…

“Projeto Venus”: quando o documentário “apodrece”…

Em tópicos, apresento algumas idéias do “Projeto Venus”  já em contraste com meu entendimento e opinião.

 1 – Não tenho nada contra a percepção de que a humanidade se afasta cada vez mais da idéia de que tudo está relacionado e interligado, de que precisamos uns dos outros e que a própria natureza nos mostra isso. Não tenho nada contra a idéia de utilizar a tecnologia e automação realmente ao serviço do ser humano para livrá-lo de trabalhos desnecessários e permitir que todos se concentrem em atividades produtivas.

 2 – Concordo que precisamos viver mais como um planeta, raça humana, sem fronteiras. Precisamos pensar mais no bem comum, entender que precisamos nos unir. Entendo que para isso se tornar uma realidade, uma profunda transformação pessoal é necessária, uma “revolução radical interna”, deixar as religiões para trás, preconceitos e outras muletas.

3 – Posso concordar, até certo ponto, que temos recursos e poderíamos viver em uma sociedade não baseada em um sistema monetário, utilizando o avanço tecnológico e a pesquisa em diversas áreas em prol do bem comum. Usar fontes renováveis de energia e criar diversas soluções para que a sociedade possa gerenciar melhor seu meio ambiente, viver com mais igualdade e recursos para todos. Para isso precisamos reforçar a idéia do tópico 2: precisamos de uma profunda transformação pessoal, uma “revolução radical pessoal interna”, deixar as religiões para trás, preconceitos e outras muletas.  A mudança deve acontecer no seu íntimo, deixando de lado em primeiro lugar o medo.

 

4 – O PROBLEMA: Quero MARCAR o início desse ultimo tópico UTILIZANDO COMO EXEMPLO A SEGUINTE IDÉIA RETIRDADA DO FILME SOBRE O FUTURO PROJETO VÊNUS: “TECNOLOGIA QUE AGE COMO UM PÊNDULO EM CARROS PARA PREVENIR QUE UM MOTORISTA BÊBADO CAUSE ACIDENTES”.

PRESTE MUITA ATENÇÃO AGORA: se você está achando que a minha crítica é a tal tecnologia citada, infelizmente, você não entendeu… Vamos lá:

 

O problema é quando começamos a notar uma tendência nas idéias do projeto que levam à anomia (ausência de leis). Senti-me bastante incomodado com o fato de que o idealizador do projeto, mesmo em seu site e em materiais educativos, falha em explicar claramente como a sua sociedade seria regida, falando apenas sobre como as máquinas e a tecnologia poderiam ajudar.

 A principal afirmação do organizador é que praticamente não precisaríamos de leis e legisladores, pois em uma sociedade sem desigualdades sociais e sem dinheiro, problemas como o roubo, desapareceriam. Em uma sociedade sem as pressões para “conseguir” dinheiro e adequar-se à “maquina”, as “paranóias e psicoses” do estressante mundo moderno desapareceriam, com isso, vários outros problemas de relacionamento interpessoal e infrações desapareceriam.

O argumento exposto acima não passa de uma falácia ridícula! Mas vamos seguir adiante…

Se prestarmos bastante atenção nas afirmações delirantes do organizador do projeto, que se chama Jacque Fresco notamos que ele tem uma forte tendência em jogar tudo “para cima” da tecnologia. Ele está longe de acreditar na raça humana em termos da índole do ser humano e isso destrói completamente o documentário, pois PISA na idéia da revolução radical interna proposta pelo sábio Krishnamurti e usada como BASE para o inicio do próprio filme.

Vamos deixar isso bem simples para aqueles que AINDA NÃO ENTENDERAM: se você não precisa de leis, pois quando alguém estiver dirigindo bêbado o carro terá uma tecnologia que evitará um acidente, então o bêbado autodestrutivo continua lá, não mudou!

Veja que isso só demonstra a falta de fé do organizador do projeto e do documentário no próprio ser humano. O que virá depois? Uma arma de caça que não dispara quando alguém tiver vontade de matar alguém? Ahhh, eu havia esquecido, em uma sociedade “querida” existem bêbados, mas você não tem vontade de matar ninguém, pois não precisa de dinheiro! Sim estou sendo bastante irônico. Você também não tem sentimento de inveja e anseios inalcançáveis, a máquina ajudara todos a ficarem iguais, inteligentes e bonitos! Mais ironia…

O mais interessante é notar que no “final das contas”, toda a natureza é baseada em leis, todo o sistema possui leis. Tudo é um sistema: no momento que uma criança está montando um castelinho de areia na beira da praia, está determinando um sistema e regras de delimitação.

“Para entender relações, precisamos estar livres de toda ideologia, de todos os preconceitos, não somente do preconceito daqueles não educados e ignorantes, mas também dos preconceitos da sabedoria.”

 –

 ”A atual desordem social e miséria deve se resolver sozinha. Mas você e eu podemos e devemos ver a verdade sobre as relações e começar uma nova ação que não é baseada em necessidades mutuas e gratificação. Mera reforma da presente estrutura da sociedade sem alterar fundamentalmente nossas relações é um retrocesso. Uma revolução que mantém a utilização do homem como o meio para atingir objetivos, apesar de promissora, está fadada a mais guerras e lamentações. O final é sempre uma projeção do nosso condicionamento. O importante não é entender os novos padrões, as novas mudanças superficiais, mas entender o total processo do homem, que é você mesmo”.

 

Informações e Recursos complementares sobre este artigo

Data da criação: 26/01/2009
Data da ultima atualização: 26/01/2009

Assistir Zeitgeist: Addendum legendado em português no Youtube:
http://br.youtube.com/watch?v=RtIOl11GKdU&feature=PlayList&p=8804B994FE0525AD&index=0&playnext=1

Site oficial sobre o Movimento Zeitgeist: http://thezeitgeistmovement.com/
Zeitgeist: Addendum no imdb: http://www.imdb.com/title/tt1332128/

Site oficial sobre o Projeto Venus: http://www.thevenusproject.com/

15 Comments

  1. Refleti um pouco sobre o Projeto Venus, e vi que uma sociedade, por mais avançada que fosse tecnologicamente e mesmo não baseada em dinheiro, mas em recursos, ainda assim precisará de leis realmente, embora, acredito que não muitas. É logico que ainda averiam alguns casos de assassinio, roubo, estupro, etc.. e ainda existiria: inveja, luxúria, ganância, etc.. Contudo, mudando o foco das pessoas da sobrevivência e do valor de troca de um bem ou símbolo (titulos, dinheiro), para uma sociedade que produza em abundância e que supere em bens e serviços a atual sociedade, a tendência será a drastica redução de todo esse mal estar, violência, limitação.
    As leis maiores serão:

    1 – A primeira Lei seria o Respeito: não no sentido abstrato, mas levado a cabo e observado minuciosamente.

    2 – A segunda Lei é a do Melhor Resultado Comum. Em qualquer contenda busca-se a melhor solução para todas as partes.

    3 – A terceira Lei é a liberdade de Ação. Claro que vinculadas a primeira e segunda leis.

    Ex: Um individuio quer tomar banho de sol pelado na cobertura do prédio. Segundo terceira lei ele tem esse direito, mas digamos que em outro caso a cobertura do prédio do rapaz é menor em altura em relação a outros prédios próximos ao dele, e tem uma senhora de 70 anos que incomoda-se muintissímo com a sua vista da sala. Bem ela merece ser respeitada também, essa é a Lei. Atravéz de uma reunião com a comunidade se resolve este caso omisso, bem como muitos outros casos assim são resolvidos: Se o rapaz e a senhora não entrarem em acordo, a situação e decidida em uma reunião com a comunidade local em que participam o moço e a anciã, e através da segunda Lei a contenda terá que acabar, por exemplo será alocado outro local para o rapaz ou a senhora, ou será construido um muro, ou coisa parecida na cobertura do rápaz.
    Bem é logico que nesse tipo de sociedade todos devem ter um exelente trato e bom senso, artigos raros no espírito desta atual sociedade, mas quem sabe as próximas gerações dentro da nova sociedade já estarão suficientemente avançadas.
    Num caso mais vulgar de um motorista bebado por exemplo: Realmente um simples pendulo não resolveria a imprudência e um acidente com vitimas. Como fica esta questão então? Presisaremos de polícia, controle, um monte de leis? acredito que presisaremos das mesmas leis maiores e um bocado de energia em educação da população, alem das comunidades que novamente resolverão os casos. É logico que não é possivel jogar tudo para cima da tecnologia como do caso das armas que não disparam em humanos, mas neste caso se os carros tivessem um piloto automatico ajudaria. Se o individuo não faz algo com medo de ser punido, não ouve realmente uma transformação da pessoa.

  2. Luiz,
    Fiz a mesma crítica esses dias quando assisti o documentário. A afirmação de que o Direito Penal perderá sua utilidade no sentido de estudar o comportamento humano no âmbito da conduta-normativa e impor sua coercitividade talvez faça sentido somente nos crimes que sejam incentivados por dinheiro. Mas e quanto aos crimes motivados por outros sentimentos que não sejam o dinheiro? E os crimes contra os costumes sexuais? E os homicídios passionais? Entre outros?
    E como extinguir o Estado? Quem julgará? E o poder judiciário?
    E as relações civis? Ainda teremos um conjunto mínimo de relações jurídicas necessárias, simplesmente porque os humanos não podem serem entendido como seres não-sociais, pelo contrário, a socialização requer regulamentação, pois há coisas além do dinheiro que são reguladas pelo Direito e necessárias a vida comum. Em uma sociedade sem Estado e sem lei tudo pode, nada é proibido.

    Concordo com o que foi dito sobre monetarismo, lucratividade, religião, fanatismo e consequentemente, porque são instituições falidas (eticamente providas somente de desvalor), contaminam qualquer tentativa de se impor uma verdadeira democracia, que no papel é uma bela teoria quando desligada dessas instituições (esse é o problema a meu ver).
    Também estou de acordo sobre o que foi dito a respeito da tecnologia, obviamente, ligada ao conhecimento científico. Mas a própria tecnologia, para ser usada em nome de um bem comum, deve ser regulamentada. Será que a criação das armas de fogo e destruição em massa não nos ensinaram nada? Será que não foi o suficiente cientistas aceitarem corromper a ciência, em prol de uma elite saciada pelo poder, em prejuízo de uma grande maioria.
    Achei as dicas finais viáveis em certos pontos, porque o diretor esqueceu que cada Estado detêm sua soberania e ordenamento jurídico próprio. Por exemplo, aqui no Brasil mesmo que você não pague energia elétrica (porque você instalou um sistema auto-suficiente) ainda pagará o(s) imposto(s) que incidirem sobre ela. A nossa doutrina, infelizmente, entende assim e a receita adota esse entendimento (também os tribunais). Nos USA os candidatos podem receber qualquer quantia em dinheiro de quem for, já no Brasil a coisa é mais controlada e a quantia não é indeterminada (R$ 950.000,00). O ponto que quero chegar é que cada Democracia deve ser vista e criticada individualmente para depois se chegar a um consenso internacional, para somente depois falarmos em uma comunidade mundial.
    E quanto a propriedade privada? E quanto a livre-iniciativa? São perguntas que deveriam ser respondidas pelo membro do Projeto Vênus. Particularmente sou contra a extinção desses institutos e ainda acredito na função sócio-ambiental deles como melhor caminho.
    Muitos aspectos do documentário são admiráveis e postulo, mas muita coisa deixou em branco o que gera mais controvérsias.

  3. Bruno
    Se me permite, obrigado.
    “Mas e quanto aos crimes motivados por outros sentimentos que não sejam o dinheiro?”
    - Eles existirão ainda. Para reduzí-los é preciso trabalhar na espiritualidade das pessoas.
    “E como extinguir o Estado?”
    - Como Fresco disse no documentário: “There is no State”, e pelo que Luiz mesmo diz, parece que qualquer Estado não seria interessante. Provavelmente um Conselho de Sábios e Cintistas: físicos, biólogos, folósofos, sociólogos, etc.. elegidos pelas comunidades periodicamente, substituiria qualquer Estado.
    “Quem julgará? E o poder judiciário?”
    - Quem julgará as questões mais regionais serão as comunidades locais, de uma forma organizada, sepre respeitando algumas Leis Maiores, que norteariam as decisões. Esse Conselho Local manteria algumas Tradições Locais, não leis, se fossem interessantes para evitar contendas. (Talves na India, por exemplo, ainda não seria permitido, mesmo a um estrangeiro comer carne de vaca). Já o Conselho de Sábios ofereceriam as diretrizes gerais para toda a sociedade, bem como Leis Maiores. Não existiria nececidade de um poder judiciário, de tantas leis e tantos mecanismos coercitivos. Se eles resolverem, por exemplo, que deverão ser desenvolvidos mais robôs e sua tecnologia melhorada, se a prioridade de produção de grãos será: aveia, centeio… todas decisões baseado em estudos.

  4. Bruno,
    Continuando: ultima questão.
    “E quanto a propriedade privada?”
    - Essa é a parte mais complicada. Ainda não cheguei a uma conclusão razoável.
    Seria necessária uma nova cultura social, bem como a não existência de valor monetário ou um valor de troca. E também a produção em grande escala de bens. Isso ajudaria a resolver um pouco.
    Dexe-me exemplificar: Digamos que Fulano seja dono de rede de cinemas. Com a troca desse sistema monetarista por outro baseado em recursos, Fulano percebe que todo o sentido ($) para o seu negocio desaparece. Ele também não vai vender os terrenos ou pontos porque não existe mais dinheiro e ninguém vai comprar com um fim de montar o seu ponto de venda. Fulando pensa no valor de troca dos locais, pensa em conseguir coisas melhores pra sua própria vida como por exemplo: um iate, ou conseguir recursos para viajar pelo mundo, prostitutas, livros, um sítio, etc..
    Para solucionar esses problemas é preciso: 1 a estinção do dinheiro como um mecanismo de troca reconhecido num Estado. 2 A Estinção de todos os Estados, sem Estado, sem exército, polícia, etc.. 3 A produção em abundância de forma mais inteligente e sustentável possivel, através da robótica, automação, técnicas de exploração de recursos, reciclagem do material concebida no projeto do produto, energias alternativas, etc..
    Vamos ver se isso resolve os exemplos de Fulano: Para toda a família ou indivíduo que gosta de Iate, são produzidos vários modelos em fábricas quase 100% automatizadas, tudo de forma rápida e personalizada para cada “cliente”. Se fulano que viajar pelo mundo, pelo que vi no documentário existiriam trens magnéticos a alta velocidade e alimentados por energias renováveis, disponíveis a todos e que chegam ao outro lado do mundo em 2 horas. Também nenhuma prostituta existiria porque nenhuma faria sexo com Fulano para não ganhar nada em troca. Livros é o mais fácil: pdf, impressoras domésticas avançadas, ou também produção em grande escala em indústrias de livros, até aqueles mais raros hoje em dia, quem vai ganhar qualquer dinheiro com os direitos autorais, esses direitos servirão apenas para se manter a originalidade das obras. O sítio seria o mais complicado, vai que o dono do sitio quer realmente vir para a cidade. Talvés existisse alguma lei que regulamentasse a quantidade máxima imóveis que cada individuo poderia ter. Não sei. O ideal seria criar uma solução para esse caso também, não uma lei, assim como nos outros exemplos as coisas perderiam valor de troca porque existiriam em abundância para todos. Há que se pensar em tudo isso.

  5. Guéu,
    Mas é o que estou dizendo. É necessário um mínimo de leis (em sentido lato mesmo) na organização social. Veja que tradições ou costumes também são normas ou leis. Não há como viver sem leis, porque ainda existirá a índole humana desligada do materialismo (produção de bens).
    Quanto ao Estado ainda discordamos, porque mesmo que possamos excluir o Estado conceitual que temos noção, ainda subsistirá uma espécie de pseudo-estado, afinal toda organização de poder pública se revela como um Estado.
    E Guéu, existe uma contradição no filme, porque eles defendem a exclusão do Estado e, ao mesmo tempo, uma constituição de um único governo mundial. Isso é impossível.
    Adorei sua ideia de técnicos formarem um conselho de cientistas, simplesmente porque também pensei nisso (hehehe!). Mas ainda divergimos aqui em outro ponto: a minha proposta seria a criação de um sistema bicameral. Um conselho técnico (para propor sobre questões crimes – técnicos da área de direito penal, para propor sobre questões da medicina – técnicos das áreas biológicas, sobre questões de infraestruturas sociais – técnicos sociólogos e engenheiros civis e assim por diante) e outro conselho popular formado por um conjunto de representantes do povo (afim de que possam fiscalizar e aprovarem as soluções dadas pelo conselho técnico garantindo que tais medidas seja no melhor interesse do povo – afinal a ciência também pode ser utilizada em benefício de poucos, temos vários exemplos durantes nossa história).
    Ainda discordo de você em outro ponto: sobre as comunidades locais, isso é inviável simplesmente porque seria um atraso. Já temos tantos costumes no mundo que imagine só o número de ordenamentos que seriam criados (afinal, não há julgamento sem um prévio ordenamento) que cada cidadão jamais se sentiria livre de verdade. Pois teria que conviver com um amontoado de comunidades e sempre se sentiria preso a leis que mal conhece, seria tantas leis a se conhecer previamente que ninguém iria querer sair da própria comunidade em que reside.
    Acho essas questões muito difíceis e mas não vislumbro um mundo sem um Estado. Já houve tentativa disso e você viu no que deu né?
    Abço.

  6. Bruno,
    Que bom que gostou de algumas propostas minhas, e que bom que discordou de algumas também. Existem comunidades por ai que as pessoas são apáticas a tudo o que tem a ver com a sociedade, o que entendo como “Mundo”. E como diria Platão “o maior perigo de não se interessar por política é ser governado por seus inferiores”
    Concordo com você que essa índole exista, o materialismo é muitas vezes um pretexto para toda essa barbárie subconsciente vir à tona. O que poderíamos descobrir é se será preciso muitas leis ou poucas. Tradições e costumes são leis também, mas são regionais, e podem sofrer mudanças com o tempo, estão no tempo-espaço. O que proponho é criar algum organismo que julgue essas questões de tradições, costumes e pequenas contendas, como se fosse o nosso Juizado de Pequenas Causas, devo ter exagerado em querer organizar isso em várias comunidades, por que muitos não se interessam pelo destino do “mundo”. Como organizar isso eu ainda não sei, vou meditar mais sobre isso. Contudo a existência de Leis Maiores, como se fosse uma Constituição, só que menor, terá que existir, essas seriam Leis menos flexíveis e mais gerais, que tenham a ver com: Liberdade, Respeito, Harmonia, Progresso, etc..
    Realmente ainda existiria algo como o Estado só que bem diferente de tudo o que existe hoje, ele seria: mais enxuto, mais ágil, mais inteligente, sábio, etc.. Não haveria necessidade de tanto controle e vigilância da população, violência, de tantas armas, estadistas megalomaníacos, ditadores, burocracia, etc.. O novo governo seria tão diferente dos atuais que eu não consigo muito bem chamá-lo de Estado.
    Esse ponto de um governo mundial é o mais perigoso de todos, por isso propus mais divisões na gestão através das comunidades. Eu não sei o quanto você está a par das intrigas e dos mistérios que rondam as sociedades secretas, corporações, políticos e banqueiros internacionais, eu já estudo isso há algum tempo, pode parecer fantasia, como parecia para mim há alguns anos atrás, mas um único governo mundial, com uma única moeda e um único exército mundial (ONU?) é o que essas pessoas mais anseiam. Dessa forma o mundo todo viveria sob um grande regime fascista, nesta perspectiva é até melhor as nações que temos. Não acredito que esse é a motivação de Jacque Fresco, e com certeza não é a minha.
    Esse sistema de câmaras parece bom. Com certeza funcionaria, mas ao meu instinto é organizado demais, subdividido, por um lado impediria um grupo de serem ditadores, porque teria várias câmaras trabalhando individualmente e a câmara popular a vigiar toadas as outras. Com certeza tem suas vantagens. Minha proposta tem a fraqueza de ser menos vigiada, e mais propensa a transformar esses sábios do Conselho em arquétipos de deuses. A mim parece mais ágil, mas deve existir alguma forma de formar um Conselho Maior e outros Conselhos menores, assim compensamos as fraquezas e equilibramos a balança.
    É um prazer me corresponder com pessoas como você. Agora eu tenho uma aula, mas seria muitíssimo interessante continuar a idealizar, que sabe assim, e se mais pessoas se interessarem pelo futuro do mundo, ele realmente não se transforma em algo mais belo.

  7. Guéu,
    Obrigado pelas palavras e tenha certeza que são recíprocas.
    Toda essa discussão é muito polêmica porque nem sempre os ideais são harmônicos. Afinal somos indivíduos por natureza e é absolutamente normal haver discordância, mas o mais importante é toda a sociedade, de forma pacífica, chegar a um consenso.
    Ainda vislumbro a bicameralidade (como expus) como a melhor ideia, porém (acho que você quis dizer isso) defendo também um sistema menos burocrático. Acho a organização altamente necessária (o problema, por exemplo no Brasil, é burocracia demais e organização de menos) por ser inerente ao processo racional (por isso gostei tanto do documentário). Sou tão extremo a esse ponto que lanço outras duas ideias: a inclusão da “racionalidade científica” expressa na constituição federal como princípio basilar da república e a radical separação do Estado da igreja (radical ao extremo – nenhuma interferência direta ou indireta). Isso é um simples começo, humilde demais, mas credito na mudança a pequenos passos.
    Eu já tenho um outro ponto de vista diferente (aparentemente) do filme: acredito na democracia e em sua ideologia. O problema não está nela, está na distorção de suas ideias devida a sua ligação com o sistema monetário vigente (por razões que o filme já colocou). Não há nenhum problema na democracia simplesmente porque na prática ela não existe. O que vivemos é uma falsa-democracia e a minha revolta é que a maioria das pessoas estão pouco se lixando pra isso diante de seu comodismo, provocado pelo sistema monetário que escraviza. A maioria só pensa em acordar cedo para trabalhar e pagar suas dívidas causadas pelo consumismo compulsório e isso é uma rotina viciante. Mesmo que a existência do dinheiro perdure no tempo (prefiro um sistema de trocas), o importante é ressaltar que ainda assim a nossa existência faria muito sentido caso a distribuição de riquezas fosse mais justa, o que não é e ambos sabemos disso. Infelizmente os ricos não irão mudar, não irão querer dispor de parte de sua fortuna e lucratividade para uma melhor distribuição de renda (acho que por isso existe o sentimento de revolta dos autores do filme quanto a existência do dinheiro).
    E Guéu, não sou um grande estudioso de sociedade secretas e afins – leio pouco, mas tenho muita afinidade com a realidade (nesse caso estudo muito) porque sou formado em Direito e tenho uma grande necessidade de debater sobre como o mundo deve ser (acima de tudo) e não como ele é.
    O equilíbrio de poderes é essencial em uma sociedade justa porque só assim se garantirá que abuso de poderes não sejam cometidos (daí a necessidade de que toda ação tenha uma reação fiscalizadora) em interesse próprio. Mas isso não significa que deva ser burocrático (quanto menor a burocracia mais acesso o povo terá ao poder que lhe é de direito).
    Abço e espero que possamos continuar nossa conversa.

  8. Bruno,
    Como indivíduos, somos todos, diversos realmente, ai está a beleza. Os ideais são belos também, mas colocá-los em prática é a parte mais difícil.
    Com certeza temos que chegar a um consenso. Temos que criar uma única Nação Global Livre da História. Temos que formar um consenso de como suprir as necessidades desse super organismo, e ainda descobrir alguma forma que todos possam expressar sua individualidade e diversidade.
    Um dos grandes problemas que podem surgir são culturais: Como incentivar as culturas regionais sem criar muito orgulho e separatismo, e como elas vão sobreviver a uma Nação Global? Essa é uma questão importante, porque se o mundo for mais homogêneo com certeza será menos belo.
    Chegar a algum consenso será tremendamente desafiador, pois os interessados terão de encarar toda a inércia da mentalidade do homem “comum”, tão fixadas as suas crenças “comuns” de como as coisas devem proceder. Tal homem será um alienígena dentro da nova sociedade, temos que cativá-lo, mostrar que ele pode viver livre, mesmo que ele não se adapte muito bem, a princípio, a liberdade.
    Nosso novo mundo deve ser organizado, com certeza, em parte por supercomputadores e as diretrizes gerais dadas por cientistas e sábios. Temos que cuidar para essa organização não engesse a liberdade das pessoas, não as encha de vigilância, fiscalização, policiamento, etc..
    Devemos ser racionais também, sem duvida, mas também devemos ser emocionais, espirituais, artísticos, etc.. Senão cresceremos deformados, e só teremos uma janela para a percepção do Universo em vez de várias.
    Deverá existir outra forma de gerenciar bem diferente e mais prazerosa do que temos visto como Estado até então. Assim como a espiritualidade deverá estar desligada de qualquer instituição. Cada indivíduo deve ser livre para expressar, viver, sentir e praticar sua espiritualidade sem dogmas e sem coerção, contanto que respeite o direito de todos os demais de fazer o mesmo.
    Como você disse, não existe democracia atualmente, isso, Jacque Fresco e o produtor de Zeitgeist Addendum, devem conhecer. Democracia verdadeira seria a sociedade onde todos os indivíduos pudessem influenciar a política, não apenas uma “maioria” manipulada.
    Quanto a esta questão de democracia. Como você ainda não conhece essas sociedades secretas e a tremenda influência delas, tenho um pequeno puzzle caso você goste: Nos Estados Unidos da América apregoam a “democracia” e a “liberdade” como as maiores virtudes daquela nação. Nesse cenário considere o seguinte: Como dois candidatos de partidos opostos, na época, John Kerry e George Bush (Junior), podem pertencer à mesma sociedade secreta chamada Skull and Bones? Que liberdade de escolha é essa?
    Se você gostar de ir fundo nas questões, vai achar isso no mínimo bizarro, e vai adorar pesquisar mais a respeito. Tenho mais bizarrices para você pesquisar caso lhe interesse.
    Bom, com esse drama no ar, tenho que parar por aqui, li toda a sua mensagem e a considero interessantíssima e, posteriormente continuarei os comentários do restante de sua mensagem.

  9. Bruno,
    Continuando, achei bem interessante essa parte: “O que vivemos é uma falsa-democracia e a minha revolta é que a maioria das pessoas estão pouco se lixando pra isso diante de seu comodismo, provocado pelo sistema monetário que escraviza.” O que tem muito a ver com que o documentário expõe; Que no sistema antigo de escravidão tinham que arranjar a moradia e a comida dos escravos, nesse sistema moderno o próprio escravo deve arranjar sua comida e moradia.
    Tem outra parte do documentário bem interessante quando um presidente americano(Andrew Jackson?) tempos atrás queria que o governo imprimisse o próprio dinheiro, ai o pessoal da Europa manda uma carta dizendo que no sistema moderno de escravidão, para se controlar os escravos, precisavam controlar seus salários, e para controlar os salários precisam controlar o dinheiro. Vou procurar e postar aqui quando possível essa parte.
    Eu não sei se você conhece a máfia que é este mundo, mais no documentário conta que logo esse pessoal da Europa deu um jeito no problema, depois em 1913 (13) criaram o Federal Reserve. Além desse documentário eu posso dizer que esse banco central de federal não tem nada, ele foi concebido na Europa pela dinastia dos Rothschild, colocado em funcionamento pelo testa de ferro deles J.P. Morgan, com direito a encontros secretos (porque tantos segredos?) na sua humilde residência, na época a ilha de Jekyll na costa da Georgia – EUA. É um banco 100% privado e cobra impostos (tax) completamente inconstitucionais do povo estadunidense. Bom até aqui já lhe dei bastante material para você se entreter em pesquisas. Continuemos.
    “A maioria só pensa em acordar cedo para trabalhar e pagar suas dívidas causadas pelo consumismo compulsório e isso é uma rotina viciante.” Esse é o tal do “Modus Operandi” (escravização) do atual sistema. A maior dificuldade para criar um novo sistema é romper com essa inércia na mentalidade das pessoas, mostrar que a outras formas de se viver além da servidão exagerada a um sistema.
    “Mesmo que a existência do dinheiro perdure no tempo (prefiro um sistema de trocas)” Ele não deve perdurar, senão todos os esforços por um novo mundo estarão comprometidos. Como funciona esse sistema de trocas? O que pode funcionar muito bem é a idéia de Jacque Fresco de produzir em abundância, automação, robôs, economia baseada em recursos, etc..
    “a nossa existência faria muito sentido caso a distribuição de riquezas fosse mais justa, o que não é e ambos sabemos disso.” Concordo, não é nem um pouco justa, contanto que no consenso cheguemos à conclusão que “justa” não queira dizer exclusivamente baseada em méritos, tudo bem. O atual sistema trabalha muito com este conceito de mérito.
    “Infelizmente os ricos não irão mudar, não irão querer dispor de parte de sua fortuna e lucratividade para uma melhor distribuição de renda” Bom, existem ricos e Ricos. Os ricos estão interessados na fortuna, dinheiro, lucratividade como você explica bem, eles estão pouco se importando com os demais, só se ocupam de sua riqueza, prazeres, festas, etc.. Agora os Ricos mesmo, que são as 13 famílias (Astor, Bundy, Collins, Dupont, Freeman, Kennedy, Li, Onassis, Rockefellers, Rothschild, Reynolds, Krupp, Russel) que são donas, praticamente, do mundo todo, que são o topo da pirâmide social, estes já tem outra motivação: querem reduzir a população mundial para algo em torno de 500 mil habitantes, querem transformar o mundo num ambiente 100% vigiado, querem ter o controle de todos os recursos, pessoas, plantas e animais da Terra, querem um só governo mundial, uma só moeda, um exército, etc.. Se isso tudo lhe soa estranho, como dizem “a realidade muitas vezes supera a ficção”, tudo que mencionei são fatos 100% comprováveis, e não requerem muito esforço dos pesquisadores. Mas a título de percepção: Imagine uma pessoa que tem “todo o dinheiro do mundo”, que sua riqueza é maior do que a economia de muitos países. Que ela é dona de banco central, ou seja, ela imprime seu próprio dinheiro! Que motivação ela ainda teria em relação ao dinheiro? Dinheiro é somente um pretexto para essa máfia, a motivação dela agora é outra.
    “acho que por isso existe o sentimento de revolta dos autores do filme quanto a existência do dinheiro” Não só por isso, mas porque o dinheiro é um mecanismo extremamente atrasado e obliterado, que impede o florescimento de uma sociedade extremamente mais avançada.
    “não sou um grande estudioso de sociedade secretas e afins – leio pouco, mas tenho muita afinidade com a realidade (nesse caso estudo muito) porque sou formado em Direito e tenho uma grande necessidade de debater sobre como o mundo deve ser (acima de tudo) e não como ele é.” Caso você queira tornar-se um, vai perceber que, simplesmente, “metade de História não foi contada”. Como um grande amigo meu me disse uma vez que para se perceber o “certo” e só inverter o “sinal”, “negativo para positivo”, que a “equação” se revela. Ou seja, o que o ‘mundo deveria ser’ é praticamente o contrário de “como ele é”. Por isso a tremenda importância de conhecer realmente a História e buscar compreender a atual tendência do mundo.
    “O equilíbrio de poderes é essencial em uma sociedade justa porque só assim se garantirá que abuso de poderes não sejam cometidos (daí a necessidade de que toda ação tenha uma reação fiscalizadora) em interesse próprio. Mas isso não significa que deva ser burocrático (quanto menor a burocracia mais acesso o povo terá ao poder que lhe é de direito).” Cheguemos então ao consenso de o poder deve estar distribuído de forma realmente democrática, não nas mãos de uma maioria, uma minoria, esferas, etc..
    Quanto à reação fiscalizadora eu realmente devo declinar. Assim que possível passo o link do youtube sobre a entrevista de Jacque Fresco com Larry King nos anos 70, em que King pergunta a Fresco sobre a necessidade de controle e Fresco nega que exista a necessidade de controle no seu projeto. Bom, talvez seja muito exagerado e somente possível em uma sociedade extremamente avançada tecnologicamente e espiritualmente. Você que é um homem da lei deve perceber bem a necessidade de fiscalização e controle na atual sociedade, numa futura sociedade minha proposta e de que exista realmente um grupo que “fique de olho” no mundo a princípio, mas sem exageros, sem um caráter muito oficial.
    Adorei nossa conversa, muito prazerosa. Realmente espero que possamos continuá-la.

  10. Eu tenho que corrigir a erro que eu falei na ultima mensagem, não é 500 mil habitantes, mas sim perto de 500 milhões, cerca de 90 a 95% da população da terra. Se não me engano tem um monumento na própria ilha de Jekyll que menciona esse número.

  11. achei o monumento:
    http://cantontruth.blogspot.com/2008/05/blog-post.html

    Paranóias religiosas do produtor do site a parte, é isso ai:
    “1. Maintain humanity under 500,000,000 in perpetual balance with nature.
    2. Guide reproduction wisely – improving fitness and diversity.
    3. Unite humanity with a living new language .
    4. Rule passion – faith – tradition – and all things with tempered reason.
    5. Protect people and nations with fair laws and just courts.
    6. Let all nations rule internally resolving external disputes in a world court.
    7. Avoid petty laws and useless officials.
    8. Balance personal rights with social duties.
    9. Prize truth – beauty – love – seeking harmony with the infinite.
    10. Be not a cancer on the earth – Leave room for nature – Leave room for nature.”

    O lugar é na Gerórgia realmente, mas é num canto bem bonito chamado Elberton.

    Para mais fotos é só buscar por imagens no google assim: “Georgia Guidestones”

    http://www.globalfailure.com/images/myspace/Georgia_Guidestones_English.jpg

    Para quem gosta de direito, tem umas idéias ai tambem.

    Para trocar mensagens comigo pessoalmente: tamgila@yahoo.com.br

    Até mais.

  12. O filme apenas quebra os paradigmas. Nao cria conceitos, pois se prepararam para mostrar certas verdades, mas nao para mostrar solucoes. Cabe a nos estarmos libertos deste sistema atual, e tambem da proposta dada pelo filme de nova sociedade.
    Tecnologia é apenas uma consequencia, é impossivel evoluir apenas intelectualmente, sem a moral nao cohabitaremos este planeta, a tecnologia se tornara poder em maos erradas. As maos erradas sao reflexo das nossas acoes como povo, nosso egoismo, ganancia, inveja etc…
    Por fim tudo comeca na questao moral, que e a impulsora da mudanca. Apenas objetivos fortes e claros sao capazes de conduzir mudanca, o amor, a fe. A instituicao que se encaregou de falar sobre estes sentimentos e a igreja, formada por gente falha como nos. Nao se pode afastar os valores passados por Jesus ou Buda ou qualquer homem de moral que veio ate aqui, eles nos mostraram o caminho da evolucao. E preciso filtrar os dogmas e o misticismo,a evolucao moral interior é inicio o resto e consequencia.

  13. Bem, adoro tecnologia, reprovo e odeio empresas e bancos, procuro não ser tão tapado como nos querem fazer sentir todo o tempo e achei as propostas dos dois Zeitgeist interessantérrimas!
    Lá pelas tantas, quase no final com o discurso lindo do Krishnamurti, afirma-se que – já vaticinando – alguns apenas conhecem esta verdade mas a maioria a desconhece. Não sei como intuiram isto, porém pode ser realidade diante de tudo que se vê a olhos mais do que vistos. Triste contudo importante nova verdade.
    A crise está desembocando e os leões famintos logo começarão a se degladiar para manter-se mais um pouco na crista da onda. Inevitavelmente, máquinas substituirão e conviverão lado a lado com humanos, aprofundando mais e mais problemas insolúveis. O perigo, concordo também, é dominarem nossa Internet mais ou menos livre. A menos que nossos computadores antes se unam por todo o planeta e nos salvem de nós mesmos…

  14. O próprio autor diz que o sistema que ele bolou não é perfeito, porém é uma opção mais inteligente que a atual. Eu concordo que uma sociedade sem leis é inviável, porque o ser humano não é suficiente evoluído para viver em sociedade, apesar de tentarmos desde que o homem é homem. O problema é que o direito atual caiu num ostracismo sem precedentes, e as leis não servem mais para colocar ordem no caos da sociedade, mas para manter uma quantidade absurda de legistas e juristas, a lei atende a ela própria. Ainda ontem vi um documentário, brasileiro, onde um homem matou a sangue frio três pessoas de uma família, de uma casa vizinha, e não foi presa ainda porque o advogado está usando de todos os artifícios e brechas para adiar a condenação, e já se passaram mais de 8 anos desde o crime! Que lei é esta que permite tal barbaridade? Que profissional é este advogado, que se presta a fazer tal tipo de serviço?
    O que acho interessante, com a idéia do projeto Vênus, é de pelo fazer as pessoas discutirem assuntos tão arraigados que ninguém mais discute: o que é o dinheiro, que trabalhamos a vida inteira para ter? Que sociedade é esta que vivemos, que leis e regras são essas, não será possível vivermos de forma mais inteligente? Que crenças são essas que aprendemos desde que nascemos, de onde vieram, e para que se propõem?
    Só por levantar estas questões, acho que o documentário merece muito louvor.

  15. De fato, o documentário tem como objetivo maior abrir as mentes e quebrar certos paradigmas, principalmente ao que se refere ao trabalho, dinheiro como instrumento oficial de troca, o próprio consumismo, etc. Porém vejo que Peter Joseph e o autor do Projeto Vênus não deixaram claro como funcionaria nesta sociedade nova idealizada, as leis contra crimes que não envolvam questões monetárias. Além disso, como funcionaria a sociedade no que se refere ao desempenho pessoal e sua contribuição na sociedade. Hoje, vc o que está em voga em muitas empresas e que os trabalhadores mais reivindicam é meritocracia. Como funcionaria no Projeto a avaliação de desempenho dos trabalhadores, considerando a diversidade de capacidade, comportamento, etc?

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